Viagens


Eu tenho medo de morrer. Ontem fui conhecer a filha de amigos e , se por um lado a família estava feliz pela renovação, não pude deixar de reparar que a Bisa estava amuada.
Tenho uma tia que diz “é muito ruim ficar véio”.
Não deve ser bom, de fato. Ossos frágeis, pele sem elasticidade, músculos fracos – e isso apenas o corpo.
Mas eu, que espero ter a sabedoria para envelhecer em paz, me sinto muito vulnerável, já temo a morte.
Temo mesmo. Há dias em que vejo alguma notícia ruim, e já fico pensando que era um dia comum, para mim e para “eles”.
E finito est.
Eu acho que isso acontece muito porque eu tenho medo de não viver tudo que quero.
Mas o que realmente quero?
A Ironia é que volto à terapia para me ajudar a fazer mais e falar menos. Mas vou sem crença e paciênca para as sessões, porque acho que é uma hora a menos (fora o trânsito), uma grana a menos (“investimento, não gasto, Dani, pense assim!”) que deixo de agir ao invés de elocubrar.
Eu tenho muita saudade do que não viví, porque qualquer motivo que seja.
E uma arrogância danada por não querer acabar.

Seria isso a melancolia?

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É a terceira vez em menos de um ano.  Tá com cara de que vai ser a última, visitando este cliente.

Estou ao norte de São Francisco, hospedada em San Rafael e trabalhando em Novato. Perto de Sonoma e Napa, regiões que têm muitas vinícolas.

Brasiliero que se preza, vem para cá desvendar outlets, Macy’s, Victoria Secret’s , Best Buy  e as vinícolas.

Eu só fui conhecer vinícolas desta vez (e olha que gosto de vinho), com o privilégio de ter uma “local” me conduzindo. Foi excelente e relaxante, com exceção de alguns momentos em que as duas americanas que me acompanhavam (ou que eu acompanhava) começaram a se alfinetar. O bom nessa vida é ser bêbado econômico. Porque ir para as vinícolas fazer “tasting” ou, degustação, pode ser pouquinho para fortes…doses homeopáticas de cada vinho, digo. Só que, de novo, sou bêbada econônima. Então, o mundo podia cair para as duas porque eu tava numa “nice”.

Eu penso que perdí muito tempo antes, nas compras, e devia ter explorado as vinúcolas na época de primavera em que estive aquí na primeira vez. Na verdade, eu e outros dois brasileiros chegamos a passar por alguns vinhedos, mas não nos informamos bem sobre como funcionava e desistimos. Mas eu me lembro das cores… impressionantes. Numa dessas vinícolas que fui ontem, havia um trio tocando “Girl from Ipanema”. Já me sentí bem melhor.  Minutos depois, um casal no meio do jardim, dançado uma música que não pude identificar. O Friozinho, o sol sobre eles, as taças de vinho. Ahhhh, o amor! Bateu aquela coisinha triste, mas boa. Sabem? Acho que é saudade.

… muito tempo só ouvindo inglês e com saudades de casa, e do marido, e das irmãs (nossa…como sinto saudade delas!), das amigas e fica só convivendo com gente do trabalho. Queria  ficar um pouco só.  Aliás, de tudo citado, acho que o último caso – conviver só com gente do trabalho e ter que lidar com “agendas ocultas” –  é o que mais influencia essa vontade de estar só.

Eu fiquei encantada com São Francisco desde que passei pela cidade a primeira vez, meses atrás. Explorei bastante o lado comercial da cidade (aliás, nos EUA, o que não é comercial?), mas não tinha explorado nenhum parque. E pelo que me lembro, dos grandes são pelo menos três deles.

Hoje  o plano era ir numa loja da Disney, e depois outra loja da Victoria Secret’s para encontrar encomendas alheias…mas daí deu aquele estalo… aquela propaganda que escutei na rádio todos os dias indo trabalhar, falando de oceanário, e da floresta tropical… enfim.. desviei a rota e fui passar o dia no  Golden Gate Park e dentro dele, a California Academy of Sciences.

Eu me arrependí muito de não ter trazido câmera. Era eu, muitos pais com suas crianças, senhores,  senhoras, gente jovem.  Muito ruído, mas aquela coisa agradável e não surtada de compras. Muitos peixes…er…um oceanário deve ter peixes e muitos né? Águas-vivas e até aquele peixe que tem uma luz, no Nemo, sabem?

Foi muito agradável e na verdade, não explorei nem 1/10 do que o parque tem a oferecer.

Recomendo programas como esse. E muiiiito bom para alma, mente, corpo e para o bolso.