Felicidade


Eu quis um carro novo semana passada, como se sua potência pudesse acelerar minha vida, em tudo que anda estagnado ou devagar.

Eu tenho uma amiga que andava muito chateada. Queria ir viajar (entenda-se EUA) para poder comprar óculos, bolsas e outras quinquilharias, como se tudo aquilo pudesse apagar anos de sua baixa auto-estima e elevar seu espírito.

Eu quis muito voltar aos 15 anos, como se eu não pudesse errar em outras coisas, diferentes das que eu errei.

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Quando eu era criança, meu sonho era ter uma caixa de lápis de cor com 36 cores. Eu achava lindo o verde-água! Como se aquele lápis me trouxesse o talento e eu pudesse desenhar melhor.

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A cada vez que um discípulo ou fã do antigo “Aquí e Agora” abre a boca para dar notícia, uma criança a mais morre.

A cada vez que psicólogos, aparecem nos jornais , repetidamente, para darem seu diagnóstigo sobre Wellington, mais uma criança morre. E outras pessoas morrerão… porque é assim que acontece. Vamos dar ideias aos outros doidos sofredores do mundo.

Sujeitos vão e picham a casa do algoz, como se assim, fossem melhores pessoas. Como se não estivessem, eles mesmos, sendo violentos.

A violência não vem só de quase uma centena de disparos feitos pelo rapaz. Nós somos violentos em palavras e gestos no dia-a-dia.

E sabe-se lá, se munidos de um instrumento adequado e com as cabeças cheias de pesares, rancor e dor, não faríamos o mesmo.

Eu sei que estou apenas acompanhando tudo que passa por aí e não falo nada de novo.

Eu assumo que gosto de chegar em casa e ver TV – inclusive aberta, sim. Eu acho graça de quem não vê TV aberta no Brasil, de quem não lê o que circula nos canais/jornais mais conhecidos. Mas sempre , sempre sabe o que se passa e quão errado é.

Mas hoje, corroboro com todos que se manifestam contra a maneira que esses meios fazem notícia – lembrando que os canais pagos também pisaram nas poças de sangue.

Hoje em especial, fiquei angustiada. Estava em consulta médica desde as 7:30 da manhã, depois fui fazer exames, depois voltei ao consultório…enfim…nas salas de espera a sintonia das TVs no consultório era no Bom Dia BRasil (Globo) e no laboratório na Globo News. Passaram, again and again, a entrevista com a professora em que o atirador entrou primeiro. Eu pegava uma revista, olhava, me distraia, fazia o exame, esperava resultado…toda vez que eu olhava a tela, lá estava a moça, mostrando como ele apontava as armas, como ele agiu, a quanto seu coração batia.

Again and Again. E mostram a dor, o desespero. E fazem perguntas para doer mais, e mais.

De maneira fina, talvez. Mas a carnificina lá está. Porque será que o ser humano prefere isso a ver algo bom? E mesmo entre porcaria, tem porcaria leve.

Não é ruim, aliás, é natural da gente querer saber detalhes de tudo. Mas chegar ao ponto da sordidez, de gostar de ver os detalhes de tudo… será que a maioria de nós vive tão mal , com nossas dores e misérias que precisamos sempre de doses diárias do sofrimento alheio para talvez, assim, pensarmos quão sortudos e felizes somos?

Será que não dá sempre para ver de outro jeito? Acho que sim – A Casa do rapaz foi pintada de branco. Mas a manchete ainda o chama de “atirador de Realengo”.

Coisinhas miúdas que me deixam feliz:

Fazia tempo que não trabalhava de casa, que não fazia home office.

Igreja Santo Antônio - Campinas1) Uma das boas coisas de ter ficado trabalhando de casa ontem e hoje é que posso ouvir o repicar dos sinos da Igreja de Santo Antônio. Quando dá meio dia, tem um tipo de uma “musiquinha”.

2) Tomar café na padaria no sábado de manhã.

3) Ir ao cinema com o marido.

A rotina pode ser boa =)