A cada vez que um discípulo ou fã do antigo “Aquí e Agora” abre a boca para dar notícia, uma criança a mais morre.

A cada vez que psicólogos, aparecem nos jornais , repetidamente, para darem seu diagnóstigo sobre Wellington, mais uma criança morre. E outras pessoas morrerão… porque é assim que acontece. Vamos dar ideias aos outros doidos sofredores do mundo.

Sujeitos vão e picham a casa do algoz, como se assim, fossem melhores pessoas. Como se não estivessem, eles mesmos, sendo violentos.

A violência não vem só de quase uma centena de disparos feitos pelo rapaz. Nós somos violentos em palavras e gestos no dia-a-dia.

E sabe-se lá, se munidos de um instrumento adequado e com as cabeças cheias de pesares, rancor e dor, não faríamos o mesmo.

Eu sei que estou apenas acompanhando tudo que passa por aí e não falo nada de novo.

Eu assumo que gosto de chegar em casa e ver TV – inclusive aberta, sim. Eu acho graça de quem não vê TV aberta no Brasil, de quem não lê o que circula nos canais/jornais mais conhecidos. Mas sempre , sempre sabe o que se passa e quão errado é.

Mas hoje, corroboro com todos que se manifestam contra a maneira que esses meios fazem notícia – lembrando que os canais pagos também pisaram nas poças de sangue.

Hoje em especial, fiquei angustiada. Estava em consulta médica desde as 7:30 da manhã, depois fui fazer exames, depois voltei ao consultório…enfim…nas salas de espera a sintonia das TVs no consultório era no Bom Dia BRasil (Globo) e no laboratório na Globo News. Passaram, again and again, a entrevista com a professora em que o atirador entrou primeiro. Eu pegava uma revista, olhava, me distraia, fazia o exame, esperava resultado…toda vez que eu olhava a tela, lá estava a moça, mostrando como ele apontava as armas, como ele agiu, a quanto seu coração batia.

Again and Again. E mostram a dor, o desespero. E fazem perguntas para doer mais, e mais.

De maneira fina, talvez. Mas a carnificina lá está. Porque será que o ser humano prefere isso a ver algo bom? E mesmo entre porcaria, tem porcaria leve.

Não é ruim, aliás, é natural da gente querer saber detalhes de tudo. Mas chegar ao ponto da sordidez, de gostar de ver os detalhes de tudo… será que a maioria de nós vive tão mal , com nossas dores e misérias que precisamos sempre de doses diárias do sofrimento alheio para talvez, assim, pensarmos quão sortudos e felizes somos?

Será que não dá sempre para ver de outro jeito? Acho que sim – A Casa do rapaz foi pintada de branco. Mas a manchete ainda o chama de “atirador de Realengo”.

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