abril 2011


A cada vez que um discípulo ou fã do antigo “Aquí e Agora” abre a boca para dar notícia, uma criança a mais morre.

A cada vez que psicólogos, aparecem nos jornais , repetidamente, para darem seu diagnóstigo sobre Wellington, mais uma criança morre. E outras pessoas morrerão… porque é assim que acontece. Vamos dar ideias aos outros doidos sofredores do mundo.

Sujeitos vão e picham a casa do algoz, como se assim, fossem melhores pessoas. Como se não estivessem, eles mesmos, sendo violentos.

A violência não vem só de quase uma centena de disparos feitos pelo rapaz. Nós somos violentos em palavras e gestos no dia-a-dia.

E sabe-se lá, se munidos de um instrumento adequado e com as cabeças cheias de pesares, rancor e dor, não faríamos o mesmo.

Eu sei que estou apenas acompanhando tudo que passa por aí e não falo nada de novo.

Eu assumo que gosto de chegar em casa e ver TV – inclusive aberta, sim. Eu acho graça de quem não vê TV aberta no Brasil, de quem não lê o que circula nos canais/jornais mais conhecidos. Mas sempre , sempre sabe o que se passa e quão errado é.

Mas hoje, corroboro com todos que se manifestam contra a maneira que esses meios fazem notícia – lembrando que os canais pagos também pisaram nas poças de sangue.

Hoje em especial, fiquei angustiada. Estava em consulta médica desde as 7:30 da manhã, depois fui fazer exames, depois voltei ao consultório…enfim…nas salas de espera a sintonia das TVs no consultório era no Bom Dia BRasil (Globo) e no laboratório na Globo News. Passaram, again and again, a entrevista com a professora em que o atirador entrou primeiro. Eu pegava uma revista, olhava, me distraia, fazia o exame, esperava resultado…toda vez que eu olhava a tela, lá estava a moça, mostrando como ele apontava as armas, como ele agiu, a quanto seu coração batia.

Again and Again. E mostram a dor, o desespero. E fazem perguntas para doer mais, e mais.

De maneira fina, talvez. Mas a carnificina lá está. Porque será que o ser humano prefere isso a ver algo bom? E mesmo entre porcaria, tem porcaria leve.

Não é ruim, aliás, é natural da gente querer saber detalhes de tudo. Mas chegar ao ponto da sordidez, de gostar de ver os detalhes de tudo… será que a maioria de nós vive tão mal , com nossas dores e misérias que precisamos sempre de doses diárias do sofrimento alheio para talvez, assim, pensarmos quão sortudos e felizes somos?

Será que não dá sempre para ver de outro jeito? Acho que sim – A Casa do rapaz foi pintada de branco. Mas a manchete ainda o chama de “atirador de Realengo”.

Eu não me conformo em ser comum, ordinária.

Eu me lembro do momento exato em que pensei isso, dirigindo meu carro, subindo aquela rua alí, que vai para casa.

Dividí isso, exatamente uma semana depois, com o terapeuta. Isso e outras coisas.

Quando eu voltei à terapia, a primeira coisa que eu deixei claro era que queria ajuda para olhar adiante, porque , sinceramente, não dá para ficar lamentando o que não aconteceu, ou o que aconteceu torto até aquí e usar isso como desculpa para não andar.

Well… obviamente que precisei mexer nas caixas antigas novamente. Mas olhando para frente.

Quer coisa mais ordinária que isso?